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Sustentabilidade


Sustentabilidade | - 23/08

Carne Carbono Neutro é opção para o sucesso da sustentabilidade da pecuária


Bem-estar_animal_net

Por Daniel Pedra Dantas
Especial para a Folha do Fazendeiro

A marca-conceito Carne Carbono Neutro (CCN), desenvolvida pelos pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), surge como uma iniciativa com alto potencial de contribuição para o sucesso da sustentabilidade da pecuária de corte sul-mato-grossense e brasileira. A CCN foi criada para atestar a carne bovina produzida com alto grau de bem-estar animal, na presença do componente arbóreo, em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta) e que, nessas condições, as árvores neutralizam o metano entérico exalado pelos animais, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa que provoca o aquecimento global.

Segundo o pesquisador Roberto Giolo de Almeida, existem perspectivas favoráveis ao desenvolvimento de iniciativas voltadas às ações de reduzir o impacto de emissão de gases de efeito estufa e de certificação ambiental. “A demanda por produtos comprovadamente sustentáveis leva à agregação de valor ao produto, que favorece a viabilidade econômica dos sistemas de produção agropecuários. As tecnologias desenvolvidas para implantação e manejo com ênfase na intensificação sustentável, via sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (agrossilvipastoril) e sistemas de integração pecuária-floresta (silvipastoris) já estão disponíveis para os produtores em praticamente todas as regiões do Brasil, considerando inclusive as peculiaridades de cada região”, pontuou.

Ele destaca que, da mesma forma, as metodologias científicas para monitoramento da dinâmica de emissão de gases de efeito estufa em sistemas de pecuária de corte estão bastante avançadas, permitindo assegurar a certificação e, portanto, o benefício palpável de tais sistemas. “O setor agropecuário brasileiro e mundial tem buscado atender a crescente demanda por alimentos, madeira, fibras e bioenergia. Concomitantemente à necessidade de aumento de produtividade, crescem as restrições para expansão sobre novas áreas para uso agropecuário.

Neste contexto, a tendência contínua é que, contraposto ao ligeiro aumento no rebanho bovino, haja diminuição de áreas destinadas à bovinocultura, com necessidade de intensificação do uso das áreas com pastagens cultivadas, pela combinação de uso otimizado de insumos, melhoria de técnicas de manejo, incremento da suplementação alimentar e utilização de sistemas de produção em integração”, reforçou.

Paralelamente, destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, nota-se uma preocupação crescente com a conservação ambiental e a necessidade de uso mais eficiente dos recursos naturais e de insumos para atendimento das demandas atuais e futuras. “Deste modo, a produção agropecuária poderá desempenhar seu papel, com benefícios socioeconômicos e ambientais, trilhando o caminho da sustentabilidade. Somadas, tais exigências, principalmente vindas da comunidade internacional e relacionadas à cadeia produtiva da carne bovina como um todo, indicam uma oportunidade adicional para exportação do produto brasileiro”, analisou.

Aspectos importantes
Para alcançar sucesso, alguns aspectos importantes na produção da carne bovina devem ser considerados, por exemplo, o bem--estar animal, a conservação do solo e da água, a redução do impacto da emissão de gases de efeito estufa (GEEs) e o sequestro de carbono, como prestação de serviços ambientais em áreas com pastagens. Atualmente, o Brasil tem condições de atender tais demandas por meio da utilização de sistemas de produção em integração que contemplam a inclusão do componente arbóreo em sistemas pecuários.

Neste sentido, o Governo Federal instituiu, a partir de 2010, o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), estimulando a implantação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), como uma das estratégias para reduzir o impacto da emissão de gases de efeito estufa na agropecuária, com a disponibilização de linha de crédito para financiamento de projetos que adotem esta tecnologia. A Embrapa, por sua vez, em parceria com universidades, instituições de pesquisa e a iniciativa privada, há quase três décadas, desenvolve estudos sobre sistemas de integração, em diversos biomas, como estratégias para recuperação/renovação, diversificação e intensificação, e manejo adequado de pastagens.

Contudo, vislumbrava-se cada vez mais, nos últimos anos, o desenvolvimento de um conceito, associado a uma marca, que assegurasse um produto distinguível, que abrangesse alguns dos parâmetros já citados, como mitigação e/ou neutralização da emissão de gases de efeito estufa e a sustentabilidade ambiental. “Visando superar os desafios mencionados anteriormente, a Embrapa desenvolveu o conceito Carne Carbono Neutro, que é representado por um selo alusivo à produção de bovinos de corte sob sistemas de integração, com a introdução obrigatória do componente arbóreo como diferencial. Esse conceito contribuirá para fomentar a implementação de sistemas de produção pecuários mais sustentáveis, especialmente quanto ao aspecto ambiental, com a introdução do componente arbóreo, capaz de neutralizar o metano emitido pelo rebanho, de forma a agregar valor à carne produzida nestes sistemas”, detalhou a pesquisadora Fabiana Villa Alves.

O principal objetivo do selo Carne Carbono Neutro é atestar que os bovinos que deram origem à carne tiveram suas emissões de metano intestinal compensadas durante o processo de produção pelo crescimento das árvores no sistema. Além disso, garantir, pela presença de sombra, que os animais estavam em ambiente termicamente confortável, com alto grau de bem-estar. Assim, o selo Carne Carbono Neutro será destinado à carne produzida e que teve a emissão de metano comprovadamente com efeito reduzido pelo componente arbóreo em sistemas de integração.

Neste contexto, os sistemas de integração considerados são: sistema de integração pecuária-floresta (IPF) ou silvipastoril, e sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) ou agrossilvipastoril. Os cenários de referência para a implantação de sistemas de IPF/ILPF são: pastagem que não apresenta o componente arbóreo e pastagem com a presença de árvores nativas. Porém, tais árvores não serão consideradas no cômputo do sequestro de carbono, caracterizando que o componente arbóreo implantado será o diferencial em relação ao sistema original.

Qualificação para obtenção do selo CCN

Para credenciamento ao direito de receber o selo, serão computadas as arrobas de carcaça produzidas no período de manutenção dos animais no sistema, sendo considerado o mínimo de seis arrobas de carcaça por cabeça. Para isso, os animais devem ser pesados na entrada e na saída do sistema e o cálculo do número de arrobas ganhas no sistema será realizado considerando um rendimento de carcaça igual a 50% na entrada para machos até os 400 kg de peso vivo e para fêmeas até os 300 kg de peso vivo.

Para cálculo do saldo de créditos será considerado o peso de carcaça quente. Para fins de certificação, serão aceitas carcaças de fêmeas e machos castrados que apresentem, na ocasião do abate, maturidade 0, 2 e 4 dentes (referente à troca dos dentes incisivos de leite por definitivos) e acabamento mediano (3 a 6 mm de espessura de gordura) ou uniforme (6 a 10 mm de espessura de gordura) de acordo com o Sistema Brasileiro de Tipificação de Carcaças Bovinas. Animais inteiros estarão qualificados para receberem o selo desde que abatidos com maturidade 0 ou 2 dentes e com acabamento exigido no programa.

Em suma, para receber e utilizar o selo “Carne Carbono Neutro”, o produto final (carne e seus derivados) deverá atender a todos os pré-requisitos e parâmetros inerentes ao conceito estabelecido neste documento (e em suas versões atualizadas), de caráter geral, válido nacional e internacionalmente, no qual se estipulam as etapas mínimas necessárias para a obtenção do selo, que são: compromisso de adoção de implantação de projeto de sistema de IPF/ILPF, avaliação técnica da emissão de carbono, cálculo do carbono fixado, cálculo da neutralização das emissões, garantia do estoque de carbono, concessão de uso da marca-conceito e auditoria do sistema.

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